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nunca
me senti
tão
miserável
eu
não tenho
nada
pra dizer.
Ao leitor
a carne
do poema
ao não-leitor
os ossos
do ofício.
os seres
as coisas
tudo
perecível
não cabe
no
instante
o amanhã
:
é imenso.
Em parceria com a Loba/Euza Noronhatem que
se recolher
dos espinhos
(a carne)
ainda resta
abrir
nos olhos
a alma
buscar
o amanhecer
dos dias
esquecidos
dentro
da noite
: fora
do sonho.
quero
apenas
que
o poema
exista
e
funcione
um
instante
se
possível
que
não
o
decifrem.
meu pai
minha mãe
meu irmão
minha irmã
nosso cachorro
e eu:
morávamos
todos em
uma casa
grande e
bem-assombrada
por nós.
um tiro
no
escuro
(saiu
pela
culatra)
: matou
o tempo.
a realidade
escondida
fora do ovo
para muitos
recheado
de mistério.
foram
os deuses
foram eles
foram
as deusas
foram elas
esqueceram
algum
barulho
onde
a poesia
cochilava.
O mar
guarda a palavra
pérola
dentro de ostra
palavra.
o mesmo
ali cara a cara
olho no olho
o espelho d'água
e seu
estilhaço.
a morte existe
para que a vida
seja completa
e as pálpebras
para que a noite
seja completa.
todo poema
recomeça
quando
pousa
simultâneos
pés
um no claro
outro
no escuro
nos dois lados
do horizonte
pouco antes
de sumir
completo
absorvido
por um vazio
acolhedor
que
o devolve
aos excessos
da palavra
e do silêncio.
Separou
O joio
Do trigo
E separou
O trigo do trigo
Por fim
Separou-se
Do trigo.
o tempo
urge
por isso a pressa
inimiga
da perfeição
e o dizer
nem sempre
preciso tudo antes
que o poema
acabe
em outro.
Maduro o fruto
mergulha em si
quando cai pesado
de mistério
e sabor
num instante
forma e conteúdo
atravessam
o vazio em torno
(densa
membrana)
a parte mais dura
de sua casca.
Insaciável
o silêncio ordenha
a palavra pedra
até o último grão
de areia.
A noite
não me ilude mais
com sua lua
suas estrelas
e alguns dias
hoje
só me interessa
aquilo que
- suspenso entre
um brilho
e outro -
não
consigo enxergar
ainda.
nos braços
da rede
estrategica-
Mente
amarrada
na paisagem
a realidade
balança
tudo agora
é Algo
que já pode
Ser
desligado.
Para: Val Freitasbicho
arisco
o poema
: é trevo
de quatro
pernas.
Ainda
no chão
ensaio um sorriso
e quase consigo
ser
sincero.
Em parceria com Cecilia Cassalmeu olho
coxo
de tanto
andar
- nau
à deriva
na veloz
idade
da luz -
não olha
mais
não
decifra:
(a pedra
no sapato)
o cisco
em sua
órbita.
dói tanto
ainda
não sei
se
ele
(o dente)
ou eu
quem
foi
extraído
de quem.
um dia
eu quebro
o inquebrável
: a casca
do indizível.
no
fim
do túnel
uma
luz
acesa
na
escuridão
que
sou.
o poeta
o poema
quando
não
se emendam
formam
uma coisa
só
que
não chega
a
existir.
clareira
aberta
no tempo
fogo
aceso
no escuro
clareira
acesa
no escuro
fogo
aberto
no tempo
: aceso
o fogo
aberta
a clareira
: o tempo
escuro
a chama
inútil.
enquanto
escrevo
vôo
: deixando
de
existir.
: o coração do poema
pulsando
na caixa (torácica)
de Pandora.